sábado, 6 de março de 2021
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
A Vagina precisa de ti...
Se és um jovem teimoso e permaneces fiel à tua inquietude solteira e independente, se tens um parafuso a menos e no lugar dele cresce um verme que se alimenta da tua sanidade, é de ti que precisamos.
Se no teu cérebro há uma corrente eléctrica de alta tensão que pertence ao Universo e ao Fluxo Incessante da História e a ela se quer unir, num abraço cósmico em que te queres soltar, livre, como um animal enraivecido para o seu promontório de sangue e gritos e orgias furibundas, é com certeza de ti que precisamos.
Queres sexualizar-libertar-nudificar a sociedade? És tu o regicida extremo, o rapaz ou a rapariga de olhar inocente que quer matar o rei, para assim garantir a existência pacífica de toda a família humana? Junta-te a nós.
Podes fazer da Vagina, tua mãe, uma arma de arremesso e uma dinâmica de crime para que não mais voltes ao calabouço da Norma.
Se ouves vozes, solta-as, usa-as, para assim dignificares os caminhos da Liberdade, a tua estranha obsessão – inventa uma nova linguagem, se assim tiver de ser, para expores os teus argumentos emocionais de proxeneta da virtude social.
Nós aqui ungimos demónios, sacralizamos pecados, inventamos caminhos alternativos entre as silvas e as heras do mundo, percorremos lugares ínvios, proscritos dos mapas oficiais, e caímos em abismos proibidos, vamos até lá baixo, gozamos e eventualmente esmurramos os bichos hediondos que por lá encontramos. E então nascem-nos asas e voamos, mas quando chegamos ao Céu dá-nos vontar de esventrar os seres celestiais que pairam sobre os suplícios de todos os seres incompletos – das profundezas do Inferno aos altares do Paraíso, nós, os Vagabundos do Universo, vamos à procura de comer para o desassossego voraz que nos preenche a existência.
Não tens sequer de te identificar com estas virtudes loucas e apocalípticas. Podes inclusivamente ser um indivíduo terra-a-terra, que sinta necessidade de exprimir a sua procura de haveres concretos. Não somos seres apolíticos. Queremos também soluções que digam respeito a todos.
Seja ela de que tipo for, convidamos-te a exprimir a tua fúria.
Declara publicamente a tua independência.
Envia já a tua contribuição, seja de que natureza for (texto, desenho, fotografia, alucinação, vómito) para o endereço
segunda-feira, 29 de junho de 2009
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